O concurso para a escolha do Projeto do Pavilhão do Brasil condicionava o projeto a atender a dois requisitos básicos:
1. Que o prédio, após a Expo, pudesse ser vendido para utilização como sede de empresa, de modo a viabilizar o empreendimento do ponto de vista financeiro;
2. O maior número possível de componentes do prédio deveria ser gerado e/ou oriundo do país em questão, uma vez que as empresas espanholas estavam sobrecarregadas para atenderem os prazos previstos.
Para que o prédio pudesse funcionar como sede de empresa, tratamos de atender às solicitações climáticas anuais extremas: o inverno é húmido, com 4 dias de geada em média por ano, em que a temperatura chega a baixar dos 0º C, enquanto o verão é abafado, seco, com temperatura que chega aos 45º C.
A estratégia projetual foi a de criação de um “invólucro” em concreto que seria fundido “in loco”, ao mesmo tempo que seu conteúdo (miolo) era fabricado no Brasil, em estrutura metálica, transportado e montado em Sevilha, e que consistiria nos pisos, rampas, nos “brises” e nos “sheds”, podendo assim atender ao curto prazo de obra e à escassez de disponibilidade de mão de obra local.
Do ponto de vista simbólico, o “invólucro”, apesar de ser em concreto aparente, ao se apoiar apenas em dois pontos e numa das extremidades, representava a leveza com que a melhor arquitetura brasileira digeriu o modernismo europeu e seu proverbial brutalismo.
O acesso ao Pavilhão é por uma praça sombreada, na esquina Sul/Leste.
Obedecendo à tradição espanhola de uso intensivo da rua, é no térreo, na fachada Leste, que estão situados restaurante e bar, tanto privativos do edifício, como reversíveis para uso público.
Também no Térreo estão a recepção, as exposições menores, os elevadores e o acesso ao 1º pavimento através de ampla rampa imersa em vegetação tropical viabilizada pela “expertise” de Luiz Emígdio de Mello Filho, botânico e paisagista que dispensa apresentação.
Esse pavimento consiste na grande área de exposições, protegida a Leste e Oeste, em toda sua extensão, pelas vigas em concreto e pela densa vegetação de jardineiras, enquanto os “brise soleils” horizontais protegem a fachada sul.
O acesso ao último pavimento se dá por larga escadaria e por escadas rolantes, além dos elevadores que servem a todos os níveis.
Nesse pavimento estão todos os espaços que devem ser fechados, como auditório, cinema, salas especiais e a administração.
A adoção de Sheds na cobertura, orientados para Norte, visa sua flexibilidade de utilização futura, e como garantia de conforto ambiental e iluminação natural para o último pavimento.
No subsolo está localizada a garagem.
