O contraste de costumes entre os proprietários, franceses, e pessoal local, trabalhadores da fazenda, levou à solução de avarandados, jogos e piscina serem voltados para um pátio interno de 22x30m, com portões a sul e oeste que, fechados, garantem uma privacidade aconselhável, principalmente quando do uso da piscina.
A rodovia pavimentada mais próxima estava a 70km e não se podia contar com empresa construtora ou qualquer profissional graduado – por isso foi adotada, como concepção projetual, tecnologia pré-industrial , de práticas consagradas, como paredes em alvenaria de tijolos fabricados artesanalmente na própria fazenda, pilares externos, madeiramento de telhado e forros utilizando madeiras das áreas legalmente desmatadas para o plantio, telhas de barro tradicionais e pisos de cerâmica e de cimento com pó-xadrez.
Região de ondulações regulares, foi no topo de uma das mais altas que se situou a casa.
Criou-se, então, com árvores, três eixos de referência :
• o primeiro com árvores de baixa altura e bem fechadas, protegendo as áreas de serviço de quem chega pelo acesso principal;
• o segundo, com árvores de grande altura e pouca sombra, que criam uma relação de escala com a casa e oferecem uma perspectiva de referência através da janela leste do salão, apontando para o nascente;
• o terceiro, com árvores de média altura e copa generosa, como uma extensão dos pilares do pátio interno, protegendo o bebedouro de cavalos e apontando para o poente.
O projeto se compõe basicamente de três corpos :
• o primeiro, contém a moradia dos caseiros e os serviços;
• o segundo, adjacente ao primeiro, é privativo dos proprietários;
• o terceiro, separado dos demais, abriga três apartamentos duplos para hóspedes, notadamente os sócios do grupo francês proprietário da fazenda.
Interligando os três corpos há um generoso avarandado que, junto aos quartos, forma uma área para jogos, bar e sauna.